terça-feira, 15 de janeiro de 2008

A Excelência de Cristo - A Vaidade dos Homens em Face da

Por Rev. José Nildo Gomes
“ Então um dos anciãos me disse: “ Não chore! Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos”. Depois vi um Cordeiro, que parecia ter estado morto, em pé, no centro do trono, cercado pelos quatro seres viventes e pelos anciãos. Ele tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda terra” (Apocalipse 5: 5-6)

“Jesus é excelentemente Digno da maior glória, e ainda assim optou por nos servir com sua morte e vida.”.
Humildade. Muitas pessoas amam tal palavra, e muitos acham que de fato a têm, mas simplesmente não sabem o que ela significa. Muitos adorariam poder dizer eu são humildes e simples, mas sabem que, sinceramente, não podem mentir. Ah, os homens... Como são vaidosos. São como perus com síndrome de pavão. Alguns são orgulhosos demais ate mesmo para admitir que não são humildes.
A verdade é que nós não temos nenhum motivo para nos orgulharmos, para nos vangloriarmos, porque somos vaidade. E o único caminho viável para a sabedoria é a humildade. Todo orgulho e desejo de grandeza é vaidade. Diante da grande e excelência de Cristo, da vastidão do Universo, e da Eternidade de Deus... O que é o Homem?
A única esperança que poderíamos ter é que o próprio Deus viesse até nós e nos mostrasse, pessoalmente, quem Ele é, sua grandeza e poder e sua humildade e como ser igual a Ele. Acontece que Ele fez isso. Como o Cristo, o Servo Sofredor, Deus Filho veio em carne e habitou entre nós. Vimos a Sua glória, mas não quisemos reconhecê-lo como Deus, porque nosso orgulho nos cegou. Nós o perdemos de vista, não sabemos quem ele é, e consequentemente não sabemos quem nós somos.
Para sabermos quem é Jesus, é preciso que saibamos quem somos.
“Sempre-em-Mente”. Uma pequena e singela, porém muito bela flor branca, que floresce em um espesso arbusto verde-escuro. Cresce sempre, em qualquer estação, sem que ninguém a plante ou semeie. Não se importa com as condições do tempo e resiste ao frio e ao calor, às muitas chuvas, ou à chuva nenhuma. Não é encontrada em jardins, nem é vendida em floriculturas. Ninguém a menciona em seus versos e nem a pintam em quadros. Mas ela está lá. Sempre lá. Sempre em mente. E você não consegue mata-la com facilidade. Não adianta cortá-la, porque semanas depois, lá esta ela novamente. Verde e branca, brilhando ao sol e agitando ao vento. Sempre lá, em toda parte, Sempre-em-Mente.
A simplicidade de Jesus confundiu a muitos. Com sua humildade amorosa e simplicidade marcante, Jesus mostrou aos fariseus de sua época e da nossa que as aparências não são provas de poder. Ele resistiu a tudo o que poderia ser feito de mais terrível com um Ser Humano, com uma firmeza inabalável e uma candura inexplicável. Somente alguém com tanto amor e humildade poderia suportar o que Ele suportou. Mesmo com toda a sua glória e poder, ele submeteu-se ao Pai em obediência e sacrifício por nós, seus algozes, e continuou insistindo em nos recuperar, dia após dia, semana após semana, mês após mês, e continuará a fazê-lo, enquanto houver tempo, até que se cumpram todas as estações desse universo criado por Ele. Jesus era, sem dúvida, a maior semelhança de uma Sempre-em-Mente que eu poderia imaginar.
Em Mateus 11.19, ele é chamado de beberrão, de guloso e leviano. É emocionalmente agredido por sua simplicidade nos relacionamentos. Em Isaías 53.2 e 3, Ele é apresentado como o Servo Sofredor, que era desprezado e considerado o mais indigno entre os homens. Homem de dores, que não nos agradava, que não nos oferecia conforto ao olharmos em seu rosto.
Mas é esse mesmo Jesus, o Cristo de Deus, que, na consumação de todas as coisas, no fim de toda a historia humana é capaz de abrir os livros eternos e romper-lhes os selos. Em Apocalipse revela-se a face de Cristo que muitos não conhecem. E que muitos jamais poderão ver, porque jamais terão humildade o bastante para reconhecer a excelência de Cristo.
Apocalipse 5.5 e 6 mostra Jesus como o Leão e o Cordeiro. O Ancião mostra a João o Cristo Vitorioso, apontando para um poderoso Leão, mas quando João O contempla, o que vê é um Cordeiro, que foi morto e que reviveu. Nossa condição é tão pequena que não podemos contemplar o Leão. Por isso ele se transfigura em Cordeiro. O Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. Por amor. E por extrema humildade.
Em Cristo se fundem o poder do leão e a humildade do cordeiro. Quanto a nós, em nossa pequenez e limitada compreensão, só podemos admirar Cristo por quem Ele é; por Sua Excelência:
Como diz John Piper,
Admiramos a Cristo por sua glória, mas o admiramos muito mais por sua glória estar mesclada com tamanha simplicidade.
Admiramos a Cristo por sua transcendência, mas muito mais por sua transcendência revelada em bondade e condescendência.
Admiramos a Cristo por sua justiça inflexível, mas muito mais por sua justiça temperada com misericórdia.
Admiramos a Cristo por sua majestade, porém O admiramos muito mais por sabermos que é uma majestade vestida de humildade.
Admiramos a Cristo porque Ele era digno de todo o Bem, mas muito mais por sua estupenda paciência em sofrer o mal.
Admiramos a Cristo porque ele era poderoso para acalmar as tempestades, todavia, O admiramos muito mais porque ele não usou esse poder para ferir quem quer que fosse, e ainda recusou-se a usar o seu poder para livrar a si mesmo da Cruz.
Eu poderia falar por toda uma noite do quanto admiramos Cristo, e essa lista ainda poderia perdurar ate a noite. Mas basta que saibamos que nada somos, e nada temos sem Cristo, e que, por sua misericórdia, somos quem somos. Ele é nosso alvo, nosso modelo, e é para Ele que nos movemos e vivemos. Fomos gerados por Ele e para Ele voltaremos. Ele é a nossa vida e a razão de estarmos aqui, sobre esta Terra. Não há nenhuma razão para O rejeitarmos uma segunda vez, ou para nos julgarmos bons o bastante para obedecê-lO. Tudo vem dele. A Ele toda a glória, para todo o sempre, Amém.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Não sou mais eu quem vive

Por Rev. José Nildo Gomes
Trevas... Vazio... Nem sons, nem luz, nada. Nenhum sentimento ou existência... Até que todos os seres Celestes, alados ou não, ouviram Tua voz estrondar como um trovão: "Haja Luz!" E a luz foi feita... Criaste, Soberano Senhor, os Céus e a Terra, e tudo o que neles há, já houve ou haverá um dia. E então depois, sem que nada pudesse o homem saber, porque não existia ainda, ou fazer, para que depois quisesse algum crédito, Tu o criaste. Fizeste homens e mulheres e os puseste no mais sublime, belo e perfeito jardim. Tu nos amaste. Mas caímos! Pecamos! Afastamo-nos de ti, oh Deus. Tu que nos cativavas como filhos. E nos tornamos teus inimigos... Cativos de nossas próprias vontades, prisioneiros de nossas próprias idéias e conceitos rebeldes... Ignorantes e desviados do bem e da Luz... E as trevas nos alcançaram. Andávamos errantes, perdidos, sem rumo e sem esperança. E pensamos que nos abandonarias... Mas não! Tu continuavas a cuidar de nós, a nos preservar, até que chegou o tempo e então vieste até nós.
Na pessoa de Teu Filho, tu nos visitastes. Sem que merecêssemos, sem sequer um ato de bondade, sem qualquer iniciativa nossa, Tu nos tocaste. Olhaste em nossos olhos e disseste: "Vem, eu te faço meu Filho, meu amigo, meu herdeiro, meu servo, meu guerreiro, meu mensageiro..." Ah, Senhor Soberando, Tu que conduzes a história, e que sabes seu inicio, e seu fim, Tu, que estás em todo lugar, e em todo tempo tempo, preocupaste-te conosco. Sendo Tu o próprio Senhor do tempo, porque tu criaste, deste-nos a dádiva da Vida Eterna, para além do tempo, para vivermos juntos de Ti, para sempre. Mesmo sendo tão rebeldes e inclinados ao mal... Mas sei que vês bondade em nós. Não que tenhamos alguma, mas vês aquela que Teu Filho nos deu. E assim, morrendo tão severa morte, nos fez morrer com Ele, e ressurgindo da morte, em vitória nos fez ressurgir com Ele... Portanto, amado Senhor, como poderíamos nós ainda viver-mos para o mal, para as trevas e para o pecado, se já não vivemos mais nós, mas Cristo é que vive em nós?